Dado positivo do indicador apenas recupera retração do último trimestre de 2025
A indústria paulista encerrou o 1º trimestre de 2026 com sinais de recuperação. As vendas reais avançaram 10,3% no período, o que apenas recuperou do tombo observado no 4º trimestre do ano anterior (-8,3%), já os salários reais médios cresceram 2,8%. O resultado interrompeu três trimestres de retração nas vendas (-1,9%, -2,4% e -8,3%, do 2º ao 4º trimestre de 2025). Em sentido oposto, as horas trabalhadas na produção recuaram 1,1%. Dados com ajuste sazonal.
Tensões geopolíticas envolvendo EUA, Israel e Irã aumentam a incerteza sobre o preço do petróleo e seus derivados, além dos fertilizantes. Em conjunto a isso, a Selic em patamar restritivo encarece o crédito e limita investimentos. Adicionalmente, o elevado endividamento das famílias coloca preocupação sobre a dinâmica do consumo por produtos industriais.
Nesse contexto, a Fiesp projeta alta de 0,9% da indústria geral em 2026 e estabilidade da indústria de transformação (0,0%).
Variação mensal
As vendas reais da indústria paulista avançaram 0,4% em março, na série com ajuste sazonal, consolidando a terceira alta mensal consecutiva.
Variação mensal das Vendas Reais (%)

As horas trabalhadas na produção recuaram 0,7% no mês, após alta de 0,3% em fevereiro.
Variação mensal das Horas Trabalhadas na Produção (%)

Já os salários reais médios registraram leve crescimento de 0,1%, após recuar 1,7% no mês anterior.
Variação mensal dos Salários Reais Médios (%)

Por fim o NUCI – Nível de Utilização da Capacidade Instalada, variou de 78,5% em fevereiro para 78,7% em março (+0,2 p.p.), dado que se mantém praticamente estável desde janeiro (78,8%).
Série recente do NUCI (%)

Todos os indicadores contam com ajuste sazonal
Variação trimestral
As vendas reais da indústria paulista cresceram 10,3% no primeiro trimestre de 2026, dado que apenas recupera o tombo observado no trimestre imediatamente anterior (-8,3%). Trata-se do primeiro resultado positivo após três trimestres consecutivos de retração.
Variação acumulada no trimestre das Vendas Reais (%)

As horas trabalhadas na produção recuaram pelo terceiro trimestre seguido, com variações de -1,6%, -0,2% e -1,1%, respectivamente, entre o 3º trimestre de 2025 e o 1º trimestre de 2026.
Variação acumulada no trimestre das Horas Trabalhadas na Produção (%)

Os salários reais médios avançaram pelo segundo trimestre consecutivo: +0,7% no 4º trimestre de 2025 e +2,8% no 1º trimestre de 2026.
Variação acumulada no trimestre dos Salários Reais Médios (%)

Todos os indicadores desta seção consideram ajuste sazonal
Variação acumulada no ano
No acumulado de 2026, as vendas reais ainda registram desempenho negativo (-2,4%).
Variação acumulada no ano das Vendas Reais (%)

As horas trabalhadas na produção também permanecem no campo negativo, com variação acumulada de -2,6%.
Variação acumulada no ano das Horas Trabalhadas na Produção (%)

Em sentido oposto, os salários reais médios avançam 3,2%, o maior resultado acumulado para o período desde 2010 (+1,7%).
Variação acumulada no ano dos Salários Reais Médios (%)

Os dados acumulados no ano não contam com tratamento sazonal
Variação acumulada em 12 meses
No acumulado em 12 meses, as vendas reais da indústria paulista recuaram 0,7%, repetindo a variação observada no mês anterior.
Variação acumulada em 12 meses das Vendas Reais (%)

As horas trabalhadas na produção acumulam queda de 0,8%, o pior desempenho desde março de 2021 (-4,7%).
Variação acumulada em 12 meses das Horas Trabalhadas na Produção (%)

Por outro lado, os salários reais médios cresceram 0,5%, melhor resultado desde fevereiro de 2025 (+0,7%).
Variação acumulada em 12 meses dos Salários Reais Médios (%)

Os dados acumulados em 12 meses não contam com tratamento sazonal
Conclusão
O primeiro trimestre de 2026 trouxe uma leitura favorável para a indústria paulista. As vendas reais cresceram 10,3% no período, resultado que recupera o componente do tombo observado no trimestre anterior (-8,3%) e interrompeu a sequência de três quedas consecutivas registradas do 2º ao 4º trimestre de 2025 (-1,9%, -2,4% e -8,3%). Os salários reais médios também avançaram (+2,8%). As horas trabalhadas na produção, entretanto, recuaram 1,1%, completando três trimestres de retração. Dados com ajuste sazonal.
Apesar da melhora trimestral, os desafios impostos são muitos e impedem o crescimento do setor ao longo do ano. Tensões geopolíticas envolvendo EUA, Israel e Irã podem pressionar custos de insumos estratégicos, como petróleo, seus derivados e fertilizantes, e gerar efeitos adicionais sobre a inflação. Com a Selic em nível restritivo, o custo de capital continua elevado, ampliando o ônus financeiro para empresas, limitando investimentos produtivos, elevando o endividamento das famílias e reduzindo o consumo de bens industriais.
A Fiesp projeta um aumento de 0,9% na produção da indústria geral do país em 2026 e estabilidade na indústria de transformação (0,0%).
Os dados da pesquisa, por variável, estão apresentados a seguir:

Para consultar a apresentação do Levantamento de Conjuntura do mês ou as séries históricas, acesse o site.
Fonte: https://www.fiesp.com.br/noticias/industria-paulista-tem-forte-crescimento-das-vendas-reais-no-1o-trimestre-indica-fiesp/
