FIESP realiza Plenária de Executivos

O Sindicercon-SP, representado pelo Gerente Administrativo Rafael Lopes, participou, no dia 03 de setembro, da Plenária de Executivos, na sede da FIESP, em São Paulo. A programação abordou iniciativas voltadas ao fortalecimento da atuação sindical, os impactos da reforma tributária e as transformações provocadas pelo avanço tecnológico na indústria e na construção civil.

Fausto Longo, do DESIN, informou que a Fiesp está finalizando uma ferramenta para ampliar a aproximação entre sindicatos e empresas. A previsão é que a plataforma fique pronta nos próximos 30 a 60 dias e seja testada inicialmente em Presidente Prudente, onde estão concentradas empresas ligadas a 15 sindicatos. O projeto-piloto terá duração de 90 dias e contará com agentes de expansão responsáveis por visitar as empresas, apresentar os serviços oferecidos pela estrutura sindical e reforçar a importância da representação. O agente será contratado pelo DESIN, enquanto o mapeamento das empresas e a organização das visitas ficarão a cargo da equipe da Federação.

“Todos nós sabemos que a maior parte das tentativas que nós fizemos esbarra no fato de que ninguém quer se filiar porque não conhece, na verdade, a quantidade de serviços que a casa pode prestar através dos sindicatos. Então nós vamos fazer o seguinte: fazer chegar essa informação de uma forma bastante objetiva nesse projeto-piloto”, explicou.

A comercialização de atestados médicos falsos pela internet também foi apontada como uma preocupação para empresas, alertou Dynamene Fernandes, do FAP/RAT da FIESP. Sites oferecem documentos a partir de R$ 20, com diferentes períodos de afastamento. Além dos impactos sobre a atuação médica, a fraude pode gerar consequências trabalhistas e previdenciárias, especialmente em casos de afastamentos prolongados que resultem em pedidos de benefícios. “Um atestado falso não representa apenas um problema dentro da empresa. Dependendo do período de afastamento, ele pode resultar na concessão de um benefício previdenciário indevido, gerando uma consequência muito maior para a empresa”, explicou.

Entre as medidas de prevenção estão a conferência do CRM e da situação do profissional responsável, além da verificação da procedência do documento. Também foi discutido o Atesta CFM, plataforma do Conselho Federal de Medicina para emissão e validação de atestados, cujo uso não é obrigatório pelos médicos.

No setor financeiro, Felippe Sato e Artemis Duarte apresentaram o modelo cooperativista do Sicoob, destacando a distribuição dos resultados aos próprios cooperados. Segundo os dados apresentados, R$ 8,3 bilhões foram distribuídos na forma de sobras de capital. “O que diferencia o cooperativismo financeiro é que o resultado não fica concentrado na instituição: ele retorna para quem faz a cooperativa acontecer.”

A exposição também abordou investimentos em educação financeira e ações de impacto social, além do convênio iniciado em outubro de 2023 para oferta de produtos e serviços a indústrias e cooperativas, posteriormente ampliado para o Paraná.

Na construção civil, o presidente do SindusCon-SP, Yorki Oswaldo Estefan, defendeu a modernização do setor, com foco na industrialização, na produtividade e na renovação das lideranças. A entidade mantém comitês especializados em temas como tecnologia, meio ambiente, relações trabalhistas, questões jurídicas e obras industriais. Entre os assuntos acompanhados estão as normas técnicas e os efeitos da reforma tributária. Estefan também destacou a importância da atuação preventiva diante de mudanças regulatórias, citando como exemplo a doação de um laboratório para ensaios com veículos elétricos ao Corpo de Bombeiros, com o objetivo de ampliar o conhecimento técnico.

“Precisamos de um sindicato que seja relevante para as empresas, que esteja conectado às transformações do setor e que consiga antecipar os problemas, em vez de apenas reagir a eles. A industrialização, a renovação das lideranças e a participação dos associados são fundamentais para construir essa nova atuação”, afirmou.

Os efeitos da reforma tributária sobre os sindicatos foram detalhados por Alexandre Ramos, do DEJUR. Segundo ele, as entidades precisarão revisar suas atividades e se preparar para a emissão de documentos fiscais nas operações realizadas mediante contraprestação. Em 2026, durante a fase de testes, IBS e CBS serão destacados nos documentos fiscais, com alíquotas de 0,1% e 0,9%, respectivamente, sem recolhimento efetivo. “Com a entrada agora dos novos tributos, CBS e IBS, a gente perde essas isenções da forma como está na legislação atual, que deixa de existir. Deixam de existir PIS e Cofins, e passa a existir CBS e IBS”, explicou.

A transição para a cobrança começa em 2027, enquanto a substituição gradual de ICMS e ISS ocorrerá até 2032. Entre os pontos de atenção está a diferenciação entre as contribuições dos associados e serviços prestados mediante pagamento, como emissão de certificados, cursos, eventos e assessorias. As entidades deverão ainda revisar suas atividades, CNAEs, contratos e estruturas de faturamento para adequação às novas regras.

A formação profissional também entrou na pauta. Carlos Eduardo Leite Ribeiro, representando o Senai, explicou que a instituição está ampliando a oferta de ensino superior, principalmente por meio de cursos tecnólogos voltados às necessidades da indústria. A expansão inclui áreas como Manutenção Industrial e responde à transformação tecnológica das fábricas, marcada pelo avanço da inteligência artificial e da robótica. Além de profissionais capacitados para operar novas tecnologias, o setor passou a demandar gestores preparados para conduzir processos industriais cada vez mais automatizados e complexos. A estratégia também busca aproximar os jovens das carreiras industriais e direcionar a formação para áreas com demanda efetiva no mercado de trabalho.

“Não se trata de entrar no ensino superior para competir em escala, mas de ocupar um nicho estratégico, formando profissionais em áreas que atendam às necessidades reais da indústria. Com o avanço da inteligência artificial e da robótica, precisamos preparar gestores para atuar em plantas industriais cada vez mais tecnológicas e, ao mesmo tempo, estimular os jovens a olhar para as carreiras industriais”, finalizou.